Planeta terra chamando. Grita o despertador, o sino da igreja, três tons acima o metrô, desafinado e monopolizante o ônibus velho, alguns elevadores, todas as maquinas de lavar, celulares que ainda silenciados vibram estridentes durante peças de teatro e cenas fortes do cinema como se já não bastassem o ranger das pipocas. Ensurdecedor? Antes algo fosse. Qualquer coisa eu comprava, qual fosse o preço da abençoada, quase santa surdez. Se algum planeta tentasse se comunicar conosco, se é que já não tentaram, evidentemente não escutariamos o chamado. A tecnologia corre a passos largos; multiplica pães, transforma água em coca-cola, inventa até gente, mas não se dedica, minimamente, a silenciar. Silêncio é perigoso, faz pensar. Por alguma teoria da conspiração o barulho e os guarda-chuvas permamecem intocáveis. Planeta terra chamando! É essa a mensagem subliminar interplanetária. "Mantenha os pés no chão e nao reflita sobre isso!" grita o progresso.
" meu ouvido é pinico!" respondemos como um coro de criancinhas em uma daquelas brincadeiras infantis que envolviam batatas fritas, galinhas e pintinhos que a essa altura com certeza ja foram transformados em nugget.
Talvez por isso tenha escolhido às bibliotecas. "shhhhhh!" Essa é a regra número 1. Logo o silêncio é preenchido com letras e de repente todas as palavras são possíveis tal como tudo o que puderem formar a reboque. Os pés podem estar nas paredes, nas nuvens, no amarelo, no vácuo, menos em cima da mesa, que consiste na regra numero dois. Qualquer chamado pode ser ouvido. Diálogos com marte ou com o Olímpo são travados pelo mesmo terráqueo em questão de segundos. E o melhor: em silêncio. um mundo sem guarda-chuvas apenas por lá é possível. Acredite!
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quarta-feira, 25 de junho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
Pálido ponto azul
Voyager 1 é uma sonda espacial norte-americana lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977 para estudar o Sistema Solar exterior. Voyager 1 tinha como objetivo enviar imagens e outras informações de Jupter e Saturno. Sua missão inicial encerrou-se em 20 de novembro de 1980. Após, a Voyager 1 iniciou a fase de exploração das fronteiras do Sistema Solar denominada Voyager Interstellar Mission ou VIM, que propõe o estudo do meio interestelar. Os cientistas esperam que a comunicação com a sonda se perca por volta da década de 2020.
A sonda carrega consigo um disco de cobre revestido a ouro, contendo uma apresentação para outras civilizações, com 115 imagens (onde estão incluídas imagens do Cristo Redentor no Brasil, a Grande Muralha da China, pescadores portugueses, entre outras), 35 sons naturais (vento, pássaros, água, etc.), obras de Beethoven, Mozart, e "Johnny B. Goode" de Chuck Berry.

Uma das imagens que retornou da Voyager era a da Terra, a 6,4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando-a como um "pálido ponto azul" na granulada imagem. Sagan disse que a famosa fotografia tirada da missão Apollo 8, mostrando a Terra acima da Lua, forçou os humanos a olharem a Terra como somente uma parte do universo. No espírito desta realização, Sagan disse que pediu para que a Voyager tirasse uma fotografia da Terra do ponto favorável que se encontrava nos confins do Sistema Solar. Essa foto acabou inspirando Carl Sagan a escrever o livro Pálido Ponto Azul em 1994.
A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
As nossas posturas, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.
A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.
Já foi dito que astronomia é uma experiência de submissão e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o "pálido ponto azul", o único lar que conhecemos até hoje." (Carl Sagan, Pálido Ponto Azul, 1994)
A natureza acidental da existência
Transcrevendo a existência do universo dentro de um calendário de um ano - do dia primeiro de Janeiro a 31 de Dezembro -, no primeiro segundo: o Big Bang, o tempo mais antigo que podemos ver. O universo surge de um ponto menor de um único átomo que vomita fogo cósmico, jorrando a expansão do universo, dando início a toda a nossa energia e matéria. Ainda nos primeiros segundos conforme se expandia tudo resfriava: 200 milhões de anos na plena escuridão. Com a gravidade juntando e aquecendo gases , dez de janeiro nascem as primeiras estrelas. Dia 13 as primeiras pequenas galáxias. Durante um tempo foram vencendo a timidez e criaram intimidade, limites e distâncias. Em período conturbado decidiram juntar-se formando conchaves maiores como a Via Láctea, nascida dia 15 de março do ano cósmico. Após uma gigantesca arvore genealógica de estrelas no dia 31 de agosto finalmente o grande imperador do nosso sistema surge de um grande impacto: O Sol. A Terra foi formada por um disco de gás e poeira e levou uma surra em seu primeiro bilhão de anos.Fragmentos de detritos colidiram e se aglutinaram até formarem a nossa Lua. A Lua é uma lembrancinha dessa era violenta. Sucedendo a esse caos a Lua orbitava dez vezes mais próxima da terra e mil vezes mais luminosa presa num abraço gravitacional. A Terra foi esfriando e os oceanos se formando, a ficção das marés foi afastando a Lua. Misteriosamente no dia 21 de setembro a vida resolveu habitar a terra, ninguém sabe como , e alguns acham que é extraterrestre. Dia 9 de novembro os micróbios pioneiros respiravam e descobriram o sexo. Florestas, pássaros, dinossauros e insetos evoluíram na última semana de dezembro. Floresceu no dia 28 de dezembro. As 6h24 do dia 30 de dezembro, um asteroide desviou para a esquerda e colidiu com a Terra eliminando os dinossauros. Nós, humanos evoluímos apenas na última hora do último dia. No último minuto começamos a pintar nossos primeiros quadros. Toda história registrada ocupa apenas os últimos 14 segundos, quando inventamos a escrita. Todos os reis, todas as guerras, invenções, histórias de amor , brigas, sacrifícios,gênios e construções, descobertas... Moisés nasceu há sete segundos. Buddha há seis segundos. Jesus há 5 segundos. Maomé há 3 segundos. E eu?
(fonte : Reflexões retiradas da série documentário Cosmos por Bernardo e Elisa)
(fonte : Reflexões retiradas da série documentário Cosmos por Bernardo e Elisa)
segunda-feira, 16 de junho de 2014
domingo, 15 de junho de 2014
Nosso futuro está nas estrelas
A
conquista do espaço faz parte da nossa vida diária. Quando usamos a internet,
telefonamos para o exterior, assistimos a programas de televisão via antena
parabólica, estamos captando mensagens transmitidas por satélites bem longe, no
espaço. A previsão do tempo, que aparece diariamente nos telejornais, também
depende da atividade silenciosa dos satélites que giram ao redor do mundo. O
espaço estrelado cerca nosso planeta e quase não percebemos mais isso. As
estrelas só despertam nossa atenção quando viajamos para o interior e ficamos
longe das luzes e da poluição das grandes cidades.
As
viagens dos astronautas já viraram rotina e só merecem manchete dos jornais
quando acontece algum acidente grave. Elas podem ser vitais para a
sobrevivência da humanidade no terceiro milênio. Como os astronautas vão ao
banheiro?
O avião e
a nave espacial são invenções muito recentes. O primeiro voo de um avião ainda
não completou cem anos. A astronáutica, como é chamada a ciência das viagens
espaciais, é ainda mais jovem. Em 4 de outubro de 1957 o primeiro satélite
entrou em órbita. O primeiro astronauta, o russo Yuri Gagarin, completou sua
missão pioneira em 12 de abril de 1961, e a primeira mulher cosmonauta subiu ao
espaço dois anos depois. Foi a russa Valentina Tereskhova, que deu várias
voltas em torno do mundo dentro de uma cápsula Vostok, em junho de 1963. Em
1969, os astronautas americanos Armstrong e Aldrin desciam na Lua pela primeira
vez. Acidentes como o que destruiu a nave Challenger em 1986, e a Columbia em
1° de fevereiro de 2003 interromperam os vôos por um ou dois anos , até que a
causa do acidente fosse descoberta e contornada. Aviões caem, mas ninguém deixa
de voar por causa disso. Nosso futuro está nas estrelas.
Os primeiros astronautas foram ao espaço em pequenas
cápsulas, lançadas na ponta de foguetes militares. As viagens eram tão curtas
que as naves nem tinham banheiro.
No livro Os
Eleitos, o escritor Tom Wolfe conta que o primeiro astronauta americano,
tenente-comandante Allan Shepard, não agüentou e urinou dentro de sua roupa
pressurizada, enquanto esperava para ser lançado. O vôo de sua cápsula Mercury
devia durar apenas 15 minutos, mas o lançamento atrasou devido a problemas
técnicos. Shepard passou quatro horas fechado dentro de um escafandro prateado,
encolhido no interior da nave Mercury, que media apenas dois metros de
comprimento por 1,80m de largura.
HIGIENE ESPACIAL
Os primeiros dispositivos sanitários espaciais
surgiram com as cápsulas Gemini. Elas levavam dois astronautas para viagens de
duas semanas no espaço, na década de 60. Na Gemini, os astronautas urinavam
dentro de garrafas plásticas e faziam sua higiene com toalhas molhadas. O vaso
sanitário não passava de uma garrafa plástica. O astronauta James Lovell
reclamou do fedor dentro do Gemini 7, depois de um voo de 14 dias.
Uma parte da urina era jogada no espaço e congelava,
formando uma nuvem de cristais brilhantes que os astronautas chamavam de
constelação do Urion.
Durante as viagens do projeto Apollo, em direção à
Lua, a situação não era melhor. Enquanto passeavam pela superfície lunar os
astronautas usavam fraldas plásticas, como bebês, por dentro de sua roupa
espacial.
As primeiras naves com instalações sanitárias decentes foram as Salyuts russas e a Skylab americana. A Skylap era um apartamento espacial de três cômodos, montado dentro de um foguete Saturno 5. Skylap entrou em órbita em 1973, seu banheiro tinha um chuveiro, montado dentro de um cilindro de plástico flexível. Como não havia gravidade, as gotas de água flutuavam, colando-se ao corpo do astronauta. Com uma ducha o astronauta se olhava e depois usava um aspirador especial para sugar a espuma do sabonete e a água suja. Um chuveiro desse tipo é usado atualmente na Estação Espacial Internacional (ISS).
O vaso sanitário era ligado a sacos plásticos contendo germicida. A urina e os dejetos sólidos eram guardados nos plásticos para posterior exame por médicos na Terra.
A situação melhorou um pouco com os ônibus espaciais em 1982. O onibus espacial foi a primeira nave a levar tripulações de homens e mulheres, o que obrigou os engenheiros espaciais a criarem instalações sanitárias unissex e mais confortáveis. O banheiro foi instalado dentro de um cubículo para garantir privacidade. No vaso sanitário do ônibus espacial uma corrente de ar substitui a água. A urina e os dejetos são aspirados para dentro de um compartimento lacrado e exposto ao vácuo do espaço. O vácuo evapora os líquidos e o que resta é trazido para a Terra para não sujar o ambiente espacial (Será mesmo que não largam o coco no espaço?). Infelizmente, o ônibus espacial não tem chuveiros dentro de casulos plásticos, como a Mir e a Skylab. Como na Gemini de trinta anos atrás, os tripulantes continuam a se limpar com tolhas umedecidas. Os astronautas esperam que a nave se acople com a Estação Espacial Internacional (ISS). Nela há chuveiros e banheiros mais sofisticados.
CULINÁRIA ESPACIAL
Nas primeiras missões espaciais, os tripulantes das cápsulas russas Vostok e das Mercury americanas comiam alimentos em forma de pastas, acondicionados em tubos semelhantes aos de creme dental. Essas pastas tinham gosto de frutas e eram espremidas dentro da boca. O objetivo era fornecer um alimento de fácil digestão e que não produzisse muitos resíduos sólidos.
Os astronautas detestavam a comida em pasta e logo se rebelaram contra ela. No voo da Gemini 3, em 23 de março de 1965, o co-piloto John Young escondeu um sanduíche de carne dentro de sua roupa espacial. Assim que a cápsula entrou em órbita, o comandante da missão, o astronauta Virgil Ivan Grisson, apoderou-se do sanduíche e comeu, para desespero dos cientistas, que desejavam que a tripulação fizesse jejum. O voo durou apenas quatro hoas e 53 minutos mas inaugurou uma nova era da culinária espacial.
Nas viagens da Gemini e Apollo os astronautas seguiam uma dieta ditada por três necessidades básicas: A comida precisava ocupar pouco espaço, para não abarrotar as pequenas cápsulas; ser pré-cozida, já que não havia fogões; a acondicionada de modo a não soltar migalhas e glóbulos que ficassem flutuando dentro das cabines. Os alimentos eram submetidos a um processo de desidratação e congelamento. Afinal 9/10 do peso das verduras e 4/5 do peso da carne e do peixe são simplesmente água. O processo reduzia o alimento numa série de tabletes de um pó marrom, como aquelas sopas pré-preparadas dos supermercados. Tudo era acondicionado em sacos plásticos transparentes, os astronautas usavam uma pistola para injetar água morna no saco, transformando o pó numa sopa espessa tomada com canudinho.
A comida em sopa foi o cardápio predominante durante todas as missões à Lua do projeto Apollo. A situação só melhorou na década de 70, com as naves espaciais Salyut e Skylab. Na Skylab, os americanos puderam comer bife, vitela, bacon, ovos, legumes e até lagosta. Tudo acondicionado dentro de latas lacradas. Não tinha forno, por isso os alimentos eram pré-cozidos e congelados na Terra. Antes de comer a lata era colocada numa resistência elétrica que aquecia o alimento para ser consumido. Infelizmente a ausência de de gravidade deixa os astronautas com o nariz congestionado e sem paladar. Eles se queixavam de que a comida não tinha sabor e solocavam muito sal em tudo.
A grande inovação culinária na década de 80, veio com os ônibus espaciais americanos que continham um forno. A dieta das tripulações americanas incluíam salsichas, ovos mexidos, sopas de cogumelo, camarões, brócolis e bifes. Tudo ainda é pré-preparado e desidratado na Terra para ocupar pouco espaço. Acondicionado em latas e recipientes plásticos, os astronautas injetavam água nos recipientes com uma agulha e esquentavam no forno. De sobremesa ele podiam escolher morangos, pudins (que não precisavam ser desidratados para ir ao espaço), ou doces. Para o lanche: sanduíche de queijo com presunto e suco de laranja.
Cada astronauta come o que prefere. George Nelson comia ovos mexidos com um apimentado tempero mexicano. O piloto da Discovery, Richard Covey, preferiu comer camarão à creole bife com molho à campanha, enquanto o comandante da nave, Frederick Hauck, escolhia uma dieta mais leve: geléia e manteiga de amendoim no desjejum e almôndegas no jantar. John Lounge, um dos especialistas encarregados de lançar o satélite TDRS, revelou-se louco por pudins e atacou a dispensa, acabando com o estoque de pudins de chocolate, caramelo e baunilha. Mas ao todo o que os astronautas mais consumiram foi o café preto.
Os franceses levaram a sofisticação de sua culinária para o espaço. Durante a estada do astronauta Jean-Loup Chrétien na Mir, em novembro de 1988, enviaram um cardápio que incluía coelho com passas, pombo com tâmaras, pato com alcachofra e repolho recheado com passas e tâmaras. Tudo preparado pela empresa Comtesse du Barry, confeccionados sob a direção dos chefs Pierre Roudge e Lucien Vanel.
(Fragmentos retirados do livro "Como os astronautas vão ao banheiro? E outras questões perdidas no espaço" de Jorge Luiz Calife, 2003)
Na emancipação do homem
Como deve saber, não foi a teoria heliocêntrica que causou a condenação de Galileu Galilei. Copérnico já havia dito que a terra girava em torno do sol e a igreja não se importou. O que provocou a ira papal foi o humor.
Para defender o heliocentrismo, Galileu criou um diálogo fictício entre um personagem sábio, Salviati, e um personagem imbecil, Simplício. O sábio acreditava que a terra girava em torno do sol e o imbecil achava o contrário. O livro foi um sucesso retumbante. E a Igreja vestiu a carapuça do imbecil. Galileu foi obrigado a negar tudo o que havia dito para escapar da fogueira. Negou e ainda assim foi condenado à prisão perpétua.
Giordano Bruno , contemporâneo de Galileu, acreditava que o universo era infinito. Negou-se a se negar. Foi queimado vivo.
(Carta de Gregório Duvivier em resposta ao bispo que criticou um vídeo do "Porta dos Fundos" - link: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2014/01/1396869-pessimo-mau-gosto.shtml)
Sobre a obra de Galileu "Diálogo sobre os dois maiores sistemas do mundo"
Por várias vezes, colocou a obra de lado, talvez inseguro quanto à solidez do apoio papal. Porém, pressionado por seus numerosos amigos e discípulos, acabou finalizando a obra que o levaria a um novo e dramático confronto com a Inquisição: o Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo (Diálogo sobre os dois maiores sistemas do mundo), no qual compara os modelos de Copérnico e Ptolomeu. A obra foi concluída em 1630, mas só obteve licença para publicação em 1632. Ela se apresenta na forma de um diálogo entre três personagens: Salviati, um cientista brilhante, que encarna o próprio Galileu; Sagredo, um homem prático e inteligente, que desempenha o papel de mediador; e Simplício, um simpático porém ingênuo defensor de Aristóteles e Ptolomeu. As conversações desenvolvem-se em quatro jornadas, realizadas no palácio de Sagredo, em Veneza.
Há nelas momentos brilhantes, como a crítica à idéia da diferente composição material da Terra e do céu. Ou a refutação do argumento de que, caso a Terra se movesse, qualquer coisa que não estivesse firmemente atada a ela seria deixada para trás. Mas, apesar desses pontos altos, o Dialogo é mais uma obra de popularização do que um tratado científico.
Há nelas momentos brilhantes, como a crítica à idéia da diferente composição material da Terra e do céu. Ou a refutação do argumento de que, caso a Terra se movesse, qualquer coisa que não estivesse firmemente atada a ela seria deixada para trás. Mas, apesar desses pontos altos, o Dialogo é mais uma obra de popularização do que um tratado científico.
Galileu não oferece nele nenhuma prova conclusiva a favor de Copérnico. E, para atingir o público leigo, apresenta uma versão extremamente simplificada da teoria copernicana. Desconsiderando a reforma do sistema heliocêntrico realizada por Kepler (leia quadro), ele descreve um modelo no qual a Terra e todos os planetas se movem em redor do Sol, em trajetórias circulares e com velocidades constantes. E omite todos os artifícios matemáticos que Copérnico foi obrigado a utilizar para ajustar essa concepção ideal às observações astronômicas reais.
De qualquer forma, não foi por seus aspectos científicos que o Dialogo caiu nas garras afiadas da Inquisição. Mas por uma questão política, ou, mais precisamente, de natureza pessoal. É que, ao final do debate, Galileu introduziu, numa fala de Simplício, uma frase do próprio Urbano VIII. Quando encorajou o cientista a apresentar o sistema copernicano, o papa afirmou que o fato de uma hipótese explicar bem certos fenômenos não significava que ela fosse necessariamente verdadeira, porque Deus podia muito bem ter produzido os mesmos fenômenos por meios totalmente diferentes e incompreensíveis para a mente humana. Sem citar nominalmente o papa, Simplício afirma que esse argumento provinha "da mais eminente e douta pessoa, diante da qual era preciso cair em silêncio". Ao que os outros dois debatedores imediatamente se declaram silenciados por "essa admirável e angélica doutrina".
A ironia passou despercebida pelos olhos do censor eclesiástico. Mas Urbano VIII ficou uma fera ao tomar nas mãos o livro impresso e reconhecer suas palavras na boca do tolo Simplício. Mais do que qualquer argumento a favor de Copérnico, foi essa irreverência de Galileu que causou sua perdição. A venda do Dialogo foi imediatamente suspensa e o cientista intimado a comparecer perante a Inquisição. Pouco valeu, desta vez, a intervenção dos amigos. E, graças à equivocada polêmica com Grassi, ele já não contava mais com o decisivo apoio dos jesuítas. Idoso e doente, foi obrigado a viajar a Roma. Ao final dos interrogatórios, foi considerado "veementemente suspeito de heresia". E, no dia 22 de junho de 1633, vestindo trajes de penitência, de joelhos e com a mão sobre a Bíblia, teve que recitar, perante o tribunal, a horrível fórmula da abjuração: "Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias...". Numa insuportável manifestação de arrogância, a Igreja humilhava o homem e se atribuía o direito de decidir o que a ciência podia ou não dizer.
A ironia passou despercebida pelos olhos do censor eclesiástico. Mas Urbano VIII ficou uma fera ao tomar nas mãos o livro impresso e reconhecer suas palavras na boca do tolo Simplício. Mais do que qualquer argumento a favor de Copérnico, foi essa irreverência de Galileu que causou sua perdição. A venda do Dialogo foi imediatamente suspensa e o cientista intimado a comparecer perante a Inquisição. Pouco valeu, desta vez, a intervenção dos amigos. E, graças à equivocada polêmica com Grassi, ele já não contava mais com o decisivo apoio dos jesuítas. Idoso e doente, foi obrigado a viajar a Roma. Ao final dos interrogatórios, foi considerado "veementemente suspeito de heresia". E, no dia 22 de junho de 1633, vestindo trajes de penitência, de joelhos e com a mão sobre a Bíblia, teve que recitar, perante o tribunal, a horrível fórmula da abjuração: "Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias...". Numa insuportável manifestação de arrogância, a Igreja humilhava o homem e se atribuía o direito de decidir o que a ciência podia ou não dizer.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Versão Humana de não saber quase tudo.
"Queremos, de fato, um relato
Retrato mais sério do mistério da luz
Luz do disco voador
Pra iluminação do homem
Tão carente, sofredor
Tão perdido na distância.
Da morada do senhor."
Gilberto Gil
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